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Vereador Sílvio Humberto se posiciona em defesa dos blocos afro de Salvador

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O vereador Sílvio Humberto (PSB), presidente da Comissão de Cultura, chama a atenção para a forma como os blocos afro mais tradicionais da cidade foram tratados durante o Festival Virada Salvador, promovido pela prefeitura para celebrar a passagem do Réveillon. O legislador, que é economista, pontua que a soma dos cachês pagos às seis entidades que participaram do evento foi de R$ 255 mil, valor pago a uma única artista da axé music.

Conforme exemplifica Sílvio Humberto, a cantora Claudia Leitte se apresentou por R$ 250 mil. Segundo aponta o vereador, artistas de outros estados receberam valores ainda maiores: Marília Mendonça e a dupla Jorge & Mateus levaram R$ 400 mil, cada.

“Que existe uma relação diferenciada quando se fala da cultura negra ou local, em relação a artistas de outros estados, todos sabemos. Mas isso se torna mais grave em grandes festas como o Carnaval ou o próprio Festival da Virada”, destaca.

Sílvio Humberto recorda que esta discrepância já foi notícia, quando, em 2011, o cantor Chico César, então secretário de Cultura da Paraíba, disse que não contrataria somente bandas famosas para o São João, tendo como argumento a valorização da cultura e artistas locais.

“A disparidade no pagamento entre artistas de outros segmentos e os grupos culturais negros é um problema antigo”, ressalta o vereador, apontando os valores pagos a outras atrações. “A banda mineira Skank e os sertanejos Gustavo Lima, e Matheus e Kauan receberam R$ 230 mil, R$ 220 mil e R$ 200 mil, respectivamente, quase superando individualmente todas as entidades negras de Salvador juntas”, salienta.

Desvalorização – O legislador aponta, ainda, que a banda Jota Quest (R$ 170 mil), sozinha, superou o Olodum, banda negra que mais levou o nome da Bahia para o exterior, o Ilê Aiyê e os Filhos de Gandhy. A dupla Rafa e Pipo, que levou R$ 40 mil do festival, também é avaliada pelo vereador. “Eles receberam o mesmo valor pago aos dois mais antigos blocos negros da capital (Ilê Aiyê e Filhos de Gandhy). Algo precisa ser revisto”, cobra Sílvio.

Para o presidente da Comissão de Cultura, os valores pagos podem até mostrar o suposto retorno midiático dado por cada um dos artistas. Mas mostram também as diferenças e a desvalorização histórica das manifestações artísticas e culturais negras em Salvador.

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