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Plantas aquáticas invadem as praias de Ilhéus após forte chuva !

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Após as fortes chuvas que atingiram a região sul do estado, na última semana, as praias da Ponta da Tulha, do Cristo e da Avenida, em Ilhéus, foram tomadas por baronesas. As plantas aquáticas chegaram ao mar pelos rios Cachoeira e Almada e, desde quarta (4), a Prefeitura de Ilhéus, por meio da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Secsurb), iniciou um mutirão de limpeza para a retirada das baronesas da faixa de areia. A operação conta com apoio da Marinha e do Corpo de Bombeiros. A limpeza da praia da Ponta da Tulha já foi concluída e a previsão é que as plantas sejam totalmente retiradas até o próximo sábado (7).

Segundo o secretário de Meio Ambiente e Urbanismo do município, Mozart Aragão, o aparecimento das baronesas é comum na região sempre que o volume dos rios aumenta. Mas, desta vez o fenômeno foi triplicado. “As baronesas sempre chegaram. O município de Itabuna é um dos principais responsáveis por essa poluição, porque joga o esgoto sem tratamento no rio Cachoeira. Com a enchente, elas desceram”, afirma.

Aragão também aponta como intensificador do problema a barragem do Rio Colônia, responsável pelo abastecimento de água da região de Itabuna, localizada entre o município e Itaju do Colônia. “Foi preciso abrir as comportas da barragem”, complementa.

Em resposta, a Prefeitura de Itabuna informou que entre as pontes do Rio Cachoeira não há mais esgoto sendo jogado, e, atualmente, 88% do esgoto é coletado e 33% é tratado. Na gestão anterior, apenas 4% do esgoto era tratado. Para eles, todas as baronesas, ou 90% delas, vêm da barragem de acumulação em Itapé e a contribuição do trecho de Itabuna é pequena.

A previsão é que cheguem mais baronesas na região. A Prefeitura de Ilhéus informou que a equipe de limpeza ficará de prontidão. A ajuda de populares foi dispensada por conta da presença de animais peçonhentos nas faixas de areias, que foram arrastados junto com as plantas aquáticas.

Licenciado do cargo de presidente da Associação dos Pescadores de Ilhéus para concorrer a vereador no município, José Leonardo dos Santos, relata as dificuldades impostas a comunidade de pesca da região com a chegada das baronesas nas faixas de areia. Segundo ele, as plantas começaram a surgir já no sábado (31). “Isso é recorrente, principalmente no mês de novembro, por conta das frentes frias. Elas chegam em grande quantidade com troncos de árvores gigantescos, jangadas dos pescadores ribeirinhos, móveis e muitos animais também”, destaca.

Para o também pescador, os prejuízos são muitos. Além de ficarem impossibilitados de pescar, afetando a atividade econômica, o grande volume das baronesas deixa a água pesada e dificulta a retiradas das embarcações que, por vezes, acabam sendo danificadas. “O peso das baronesas, da água doce misturada com a água salgada e troncos de árvores danificam as tendas das âncoras de amarração. O município de Ilhéus não era mais para estar sofrendo com essas baronesas, já era para ter um plano de ação”, lamenta.

Apesar da sociedade civil não ter sido convocada ao mutirão de limpeza, Santos conta que os pescadores reuniram forças na manhã desta quinta-feira (5), para retirar as baronesas que se alojaram nas embarcações. Para ele, além do prejuízo na pesca, o turismo da região acaba sendo afetado pela poluição visual, odor deixado pelas plantas aquáticas e pelo lixo acumulado.

Gerente da Pousada Porto do Sol, localizada em frente a praia da Ponta da Tulha, Cláudio Santos, 36, também sente que a sujeira e o acúmulo das baronesas na areia afetam o turismo local. “De ontem para hoje, tinha muita baronesa. A prefeitura limpou, mas já estão chegando mais. É muita sujeira. Tem cliente que frequenta a pousada há mais de 30 anos e que vem mostrando insatisfação com essa sujeira na beira da praia”, revela.

Afinal, o que favorece a proliferação das baronesas?
De acordo com o coordenador do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal da Bahia (Ufba), o biólogo Ricardo Dobrovolski, a principal responsável pelo aparecimento das baronesas é a poluição. Dobrovolski explica que em grande parte dos rios do mundo a contaminação se dá por resíduos humanos, tanto da produção agrícola de fertilizante e restos da pecuária, quanto por resíduos urbanos, industriais e domésticos. “Esses resíduos levam a eutrofização da água, um aumento dos nutrientes, e isso leva a multiplicação da vegetação, das algas e da aguapé-de-flor-roxa [como também são conhecidas as baronesas]. Nesse caso, é a parte mais visível da poluição de Ilhéus, mas por trás dessa poluição visual há toda uma poluição química e biológica”, ressalta.

Segundo o biólogo, o fenômeno é comum em rios que passam por áreas urbanas de alto impacto humano, que recebem os efluentes dessas regiões e acabam se contaminando. Na região de Ilhéus, “parte do rio atravessa uma área urbana que não faz um tratamento adequado (de esgoto), Itabuna, e atravessa também a cidade de Ilhéus, sobretudo a parte agrícola”.

“A APP [Área de Preservação Permanente] ao longo do rio também não está de nenhuma maneira protegida e isso é fundamental para a saúde, proteção e purificação dos efluentes em torno dele”, complementa. Dobrovolski acrescenta que o excesso de efluentes pode trazer impactos negativos à fauna e flora do rio, os animais e plantas que vivem na região, além da comunidade que pode ter o acesso ao rio prejudicado ou acabar contaminada, em maior ou menor grau, se fizer uso dos seus recursos.

Para o pesquisador, a saída é investir em saneamento básico, tratamento de esgoto, na proteção da vegetação nativa do rio e no aproveitamento dos resíduos na atividade agrícola. Apesar de ainda não ser o caso da cidade, ele alerta para a ocorrência das chamadas zonas mortas, áreas do oceano onde a quantidade de matéria orgânica que chega dos rios é tão grande que o oxigênio presente na água é consumido no processo de decomposição da matéria orgânica, pelas bactérias, e mata toda a vida presente na região.

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