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Mulheres denunciam agressões durante passagem de bloco no Campo Grande

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Integrantes do bloco As Muquiranas, conhecido por ser um dos grupos mais irreverentes do Carnaval de Salvador, estão sendo acusados de praticar uma ação nada engraçada. Desde a segunda-feira (13), mulheres estão denunciando em suas redes sociais casos de assédio sexual e de violência física sofridos na passagem do bloco pelos circuitos da folia. O movimento ganhou força na internet com a hashtag: #CarnavalSemMuquiranas.

As vítimas acusam os foliões do bloco de passar a mão nos corpos delas, de agressão física e de usar palavras obscenas quando elas passam pelo circuito. Na terça (13), a fotógrafa Paula Fróes quase teve o equipamento de trabalho danificado por conta das pistolas com água. Ela contou que estava a caminho de um trio elétrico, onde iria trabalhar, quando foi abordada pelos foliões das Muquiranas no circuito Campo Grande.

“Nossa caminhada foi interrompida por um jato de água, sem sentido nenhum, na nossa cara, e com a nossa indignação e solicitação de respeito, foi como se houvéssemos aberto o portal do inferno”, relata no texto Maria Carolina, que estava com Paula quando tudo aconteceu.

“Eram os nossos gritos de “covardes! mulher não é fantasia! suas desgraças!” de um lado e de outro, risadas, insultos homofóbicos e jatos e mais jatos de água na nossa cara e na câmera, porque, naquele momento, a câmera era a nossa única arma em mãos, contra umas 20 armas de água. A gente ouvia as risadas e via o peito de inflado com o ego ultrapassando qualquer barreira de sanidade. A imposição de poder deles naquele momento e a nossa sensação de impotência foi completamente devastadora e humilhante. E quanto mais a gente gritava e tentava se defender de alguma forma, mais eles colocavam as armas na nossa cara, mais eles nos insultavam”, continua o relato.

As vítimas contaram que um vendedor ambulante tentou interceder por elas, mas também foi hostilizado. As mulheres foram atendidas pela Polícia Militar e pretendem formalizar a queixa em uma delegacia nos próximos dias.

Depois da publicação dos relatos houve uma articulação na ala feminina. Segundo a advogada Luise Reis, o grupo pretende acionar o bloco oficialmente, através da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), da Defensoria Pública, e do Grupo de Atuação Especial em Defesa da Mulher (Gedem) do Ministério Público da Bahia.

“Neste momento estamos recolhendo os depoimentos das vítimas e, posteriormente, vamos acionar os órgãos competentes. Vamos entrar com um processo coletivo contra o bloco para que seja assinado um Termo de Ajuste de Conduta. Não queremos que essas situações se repitam”, afirmou a advogada. Ela contou que trabalhou no circuito do Carnaval, e que também foi vítima de assédio dos foliões das Muquiranas.

Até às 21h de quarta-feira (15), algumas publicações tinham mais de 400 compartilhamentos e diversos relatos semelhantes nos comentários. Foliões dos Muquiranas também se posicionaram através das redes sociais e pediram desculpas pelo comportamento dos colegas.

“Infelizmente existem associados que se comportam dessa maneira deplorável. Presenciei casos parecidos como o seu e sou totalmente contra essa violência. Porém não se deve generalizar, esse ato não pode falar por todas as muquiranas que ali se encontram. O espirito do bloco é totalmente diferente disso, alegria e irreverência são os ideais principais do bloco. Eu acho que esse seu desejo de um carnaval sem muquiranas não vai acontecer. Mas mesmo assim eu como associado peço desculpas e me sinto envergonhado por essa ação de pessoas que não deveriam estar ali no bloco”, afirmou um homem.

O bloco As Muquiranas surgiu em 1965 e tem cerca de 19 mil associados. Em 2018, cada folião cadastrado pagou R$ 780 pelas fantasias. Para os não associados o valor foi de R$ 830. O bloco desfilou no sábado, na segunda e na terça de Carnaval, no circuito Campo Grande. O grupo é conhecido também por realizar eventos como o Muquefest e o Muquiverão, como preparação para a folia.

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