Home Justiça “Ele controlava as roupas dela” Irmã de médica que caiu do quinto andar volta a falar sobre cunhado.

“Ele controlava as roupas dela” Irmã de médica que caiu do quinto andar volta a falar sobre cunhado.

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Em depoimento prestado à Polícia Civil, Jaqueline Aleixo, irmã de Sáttia Lorena, disse que a médica desabafou sobre as humilhações que o também médico Rodolfo Cordeiro Lucas, suspeito de jogá-la do 5º andar de um prédio em Salvador, a estaria fazendo passar no trabalho.

Segundo o G1, Jacqueline disse que Rodolfo Lucas controlava as roupas de Sáttia e que ela teve que sair da academia de ginástica e desativar redes sociais por causa do ciúme.

Sáttia Lorena continua internada no Hospital Geral do Estado (HGE), onde passou por cirurgias. Segundo a família, o estado dela é considerado gravíssimo.

O namorado dela chegou a ser preso em flagrante, no dia do ocorrido, por tentativa de feminicídio mas teve a prisão preventiva revogada na segunda-feira (27)  após decisão do juiz Vilebaldo José de Freitas Pereira.

Na decisão, o magistrado aponta para a inexistência de provas materiais e indícios que comprovem que Rodolfo jogou a namorada da janela.

Além disso o juiz também aponta que Rodolfo, que também é médico, não possui ficha criminal, não tem aparente intenção de fugir e que pode ser facilmente localizado em caso de alguma necessidade.

‘Não me deixe morrer’
Sáttia, que caiu do 5º andar do prédio onde mora, em Armação, na madrugada de segunda-feira (20), pediu para que não a deixassem morrer. “Ela disse ao porteiro: ‘Por favor, não me deixe morrer’. Ele foi a primeira pessoa que falou com ela”, contou o síndico do prédio do Serra Mar, Leonardo Augusto, ao CORREIO, na tarde de  quarta-feira (22). Após o acidente, ele foi acionado pelo porteiro, uma das testemunhas da tragédia investigada pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Brotas.

O porteiro, que teve o nome preservado, fora acionado por moradores da Torre Pacífico – o condomínio tem dois edifícios – por causa de uma briga de casal no 5º andar. “Ele recebeu os chamados dos vizinhos que relataram um desentendimento e foi à unidade. Esta foi a primeira vez de uma briga fervorosa, ao ponto de duas unidades acionarem o porteiro para subir”, contou Leonardo.

Como não teve êxito, o porteiro retornou ao posto de trabalho. Quando olhou para cima, viu Sáttia pendurada do lado de fora do apartamento.

“Ele disse que foi muito rápido. Viu ela do lado de fora, como se não conseguisse sustentar o corpo para subir, como se tivesse numa barra de exercício e quisesse retornar à posição, provavelmente não conseguiu esse movimento”, relatou o síndico.

Ele disse que, além de pedir para que não a deixasse morrer, a médica conversou com o porteiro. “Ela estava consciente ao ponto de passar as instruções à equipe do Samu que havia chegado para atendê-la”, contou o síndico. Questionado se ela havia relatado ao porteiro sobre o que havia acontecido dentro do apartamento, o síndico fez uma pausa de alguns segundos e respondeu: “Eu não tenho essa informação”.

Sáttia Lorena continua internad ano Hospital Geral do Estado (HGE) e a família pede por doações de sangue, principalmente do tipo O- (negativo). O estado de saúde de Sáttia Lorena Aleixo segue grave, mas estável, informou na tarde desta sexta-feira (24) a família dela. Mesmo com uma leve melhora, a gravidade permanece e ela continua precisando de doações de sangue.

O síndico disse que um morador do quatro andar viu o médico segurando Sáttia, na tentativa de evitar que ela caísse. O morador contou ao síndico que chegou a falar com a médica. “Ele disse: ‘Você é médica, você vai fazer isso mesmo?’. Ele estava no andar de baixo e fala olhando para ela”, relatou Leonardo.

A vizinha do andar de cima também havia iniciado um diálogo com Sáttia. “Ela falou: ‘Oh, minha filha, não faça isso, não’”, contou o síndico. Perguntado qual o contexto dos diálogos, o síndico respondeu: “As circunstâncias desse momento, eu não sei. Eu não testemunhei, mas fui comunicado. Não quis descer. Da minha varanda deu para ver ela no play. Coletei informações com as testemunhas para colaborar com as investigações. Apenas relatei o que os moradores me falaram”, disse.

Os vizinhos relatados por Leonardo são testemunhas do inquérito que apura o caso. Além deles dois e o porteiro, um outro morador também foi incluído como testemunha no caso.

Ponto cego 
O condomínio tem mais de 40 câmeras, 12 só na entrada. No entanto, a única câmera mais próxima do impacto da queda está posicionada para o parque infantil. O local onde a média caiu é um “ponto cego”. “ Não tem registro da queda. A gente viu que local é um ponto cego. A câmera do parque infantil mostra a movimentação de algumas pessoas perto de onde estava a médica, entre eles o médico que, segundo o porteiro, foi solícito com ela”, disse o síndico.

O namorado de Sáttia Lorena, o também médico Rodolfo Cordeiro Lucas, está preso na Delegacia especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Brotas. Ele negou a tentativa de feminicídio da qual é suspeito.

Depoimento
O médico prestou depoimento na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), do bairro do Engenho Velho de Brotas, horas após o ocorrido. Na oportunidade ele e disse à delegada Maraci Menezes Lima, que, depois de uma discussão, a vítima foi para o quarto do apartamento, no quinto andar do prédio, e ficou “pendurada do lado de fora da janela, segurando com as mãos na borda da janela”.

De acordo com a TV Bahia, o médico também disse à polícia que tentou resgatá-la, mas que, “infelizmente não conseguiu segurar”.

Ao ser perguntado se jogou a companheira para fora da janela ou da varanda, Rodolfo disse em depoimento que “nunca faria isso”, que conhecia Sáttia Lorena há um ano e morava junto com ela há seis meses.

Ainda à polícia, o médico afirmou que a companheira tinha “ideações suicidas”, fazia terapia e tomava medicações prescritas por ela mesma. “Ela se medicava, se dopava”, disse durante o depoimento.

O médico também contou à polícia que, apesar dos “surtos de ciúmes” apresentados pela médica, o casal não tinha discussões pontuais e que ela “simplesmente surtava”. Ele ainda disse que, durante os “surtos” segundo Rodolfo, Sáttia Lorena sempre o agredia fisicamente com mordidas, socos, tapas e ameaçava se jogar da janela e da varanda.

Rodolfo também foi perguntado sobre nunca ter falado com a família de Sáttia Lorena sobre a depressão e ele argumentou dizendo que foi um pedido feito pela companheira.

O homem disse que foi surpreendido, quando foi fechado pelo carro da companheira na Avenida Pinto de Aguiar. Então a médica teria descido de seu veículo e o ameaçado de morte.Discussão
Uma dicussão lembrada por Rodolfo durante seu depoimento teria ocorrido no dia anterior a queda, a manhã de domingo (19). Segundo versão do suspeito, o casal foi para o hospital em que os dois trabalham, cada um em um carro, e que ele teria ido por um caminho que não era o habitual.

O médico disse que, em seguida, Sáttia Lorena ficou nua e tentou se jogar em um canal, que fica na avenida. Rodolfo disse que conseguiu colocar a médica dentro do carro dela, acalmá-la e os dois foram para o hospital, cada um em um carro.

Ao chegar no hospital, de acordo com Rodolfo, a médica contou para ele que não estava se sentindo bem, que tinha sido liberada para voltar para casa e o chamou para conversar dentro do carro dela.

Já veículo, ainda segundo médico, ele teria sido agredido com mordidas e socos e voltou para o hospital. Rodolfo disse que Sáttia Lorena o seguiu e, por ela ter tomado muitas medicações, ele pediu para ela descansar no hospital, porque ela “queria viajar para o interior onde a família dela mora dopada de medicamento”.

Após a discussão, o médico disse que dormiu no hospital e que, ao acordar, por volta das 12h do domingo, não encontrou a companheira no local. Ao mandar uma mensagem, descobriu que ela havia voltado para o apartamento.

Ainda no depoimento divulgado pela TV Bahia, o suspeito disse que a médica teria “surtado novamente”, perguntou se ele voltaria para casa, e o chamou para conversar no apartamento. “Ela jurou que seria uma conversa pacífica”, disse ele à delegada, conforme consta no documento policial.

O médico disse que, apesar do início da conversa pacífica, Sattia se exaltou e voltou a agredi-lo fisicamente, o que fez ele dizer que não queria mais conversar.

O interrogado afirmou, no depoimento, que ambos tomaram banho, Sattia fez uma oração e os dois deitaram na cama. O médico contou que a companheira tentou começar mais uma conversa e o agrediu com arranhões no rosto e na boca, além de murros, tapas e mordidas.

O documento mostra que ele disse que não aceitaria mais agressão e ela então teria iso para a cozinha, onde pegou uma faca. Rodolfo Lucas afirmou que tirou a arma branca da mão dela e, quando foi esconder o objeto, ela correu para a varanda.

“Eu só ouvi ela me gritar, Lucas, Lucas, e eu fui para o quarto atrás dela e quando cheguei, ela estava pendurada pelo lado de fora da janela, segurando com as mãos na borda da janela. Ainda segurei os pulsos dela para tentar fazer com que ela voltasse e gritando socorro”, contou no depoimento.

O suspeito mencionou um casal, que mora no apartamento 404, que viu a situação e pediu para que ele a segurasse pelo tronco, mas ele não conseguiu. “Infelizmente, não consegui segurar e só vi ela cair lá embaixo”, disse o médico no depoimento.

Vizinho viu discussão
Ainda de acordo com a delegada Bianca Torres, um homem que mora no 4° andar do prédio onde o casal vive disse, também em depoimento, que acordou com a discussão dos vizinhos. Ele contou que tentou conversar com a mulher pela janela, quando percebeu que a médica estava apoiada no parapeito e viu que o companheiro segurava as mãos delas, mas que a mulher dizia que não tinha mais forças.

Familiares negam depressão
Em entrevista ao G1 nesta terça-feira, Anderson Moreira, primo de Sáttia, negou a afirmação do suspeito sobre a médica ter histórico de depressão.

“É muito estranho tudo o que aconteceu e tudo que está acontecendo. Ela não era depressiva. Ela não faria isso. Olha o histórico dela. É uma mulher bonita, 27 anos, médica, tem apartamento, carro próprio. Como é que ela poderia se jogar?”, disse.

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