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Duas manifestações pró-democracia estão marcadas para domingo em Salvador

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Com o aumento da tensão política no país e a onda mundial de protestos pela morte do negro americano George Floyd, se avizinham novas manifestações pró-democracia e contra o governo do presidente Jair Bolsonaro, como as ocorridas no último final de semana em São Paulo e Rio de Janeiro. Em Salvador, há pelo menos dois atos marcados para este domingo, 7.

Na Barra, às 10h, torcedores se reunirão para “dar o nosso grito contra o fascismo”, conforme a convocação feita pelos grupos Bahia Antifa, Galícia Antifascista, Touro Antifascista, Torcida LGBTricolor, Orgulho Rubro Negro e Frente Esquadrão Popular.

Outro protesto está convocado para acontecer no Iguatemi, às 14h, por um grupo denominado Reação Antifascista Salvador, formado por “pessoas ligadas a movimentos sociais ou não que se juntaram com o propósito de reagir e fazer acontecer em Salvador a luta contra a ascensão do racismo e do fascismo”.

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, que tem realizado carreatas na capital baiana aos domingos, dizem que a orientação é permanecer em casa no próximo domingo, para evitar confrontos. Organizadores dos atos contra o governo também negam ter o confronto como objetivo.

As torcidas antifas baianas decidiram protestar na Barra por uma questão “simbólica”, afirma o advogado Eduardo Cerqueira, integrante da Frente Esquadrão Popular. “É um ato simbólico, porque a Barra costuma ser o local para onde essas pessoas vão. Mas a ideia é mostrar que a Barra não é deles, assim como a bandeira verde e amarela não é deles”, diz.

Por causa da pandemia do coronavírus, a recomendação feita pelos grupos que convocam os protestos é que pessoas integrantes de grupos de risco ou que convivam com pessoas vulneráveis não compareçam às manifestações. No entanto, a opinião geral é de que os protestos são necessários diante da escala do autoritarismo no país.

Quebra do isolamento

O cientista político Paulo Fábio Dantas, professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), discorda. Para ele, a quebra do isolamento é um equívoco do ponto de vista social, pelo agravamento do problema sanitário. Além disso, pontua ele, os atos são “um tiro no pé do ponto de vista político”, porque, mesmo com intenções diferentes, as manifestações se igualam, nos resultados sanitários, às “imprudências” dos bolsonaristas. “Isso nos tira força e autoridade moral para condenar e combater esses sabotadores da luta contra a Covid”, opina.

Paulo Fábio também acredita que eventuais confrontos nas ruas também favorecem Bolsonaro. “Estou convencido de que, na conjuntura em que estamos, a violência, parta de onde partir, é a inimiga mais letal dos democratas. Não se pode flertar com ela. E é exatamente isso que se faz quando se admite, em nome da luta pela democracia, mobilizar torcidas organizadas para um enfrentamento de rua com o fascismo”, afirma.

Bolsonaristas fora das ruas

Em reunião feita esta semana, o principal grupo que tem organizado carreatas a favor de Bolsonaro decidiu acatar o pedido público do presidente para que seus apoiadores não saíssem às ruas no domingo. Um dos participantes é Francisco Filho, oficial de Justiça da Justiça Federal Militar e pré-candidato a vereador de Salvador pelo PRTB.

Francisco afirma que as decisões do prefeito de Salvador ACM Neto se aproximaram muito das do governador Rui Costa em relação ao coronavírus. Para ele, “os gestores não souberam encontrar um equilíbrio entre o isolamento e a manutenção do emprego”.

Também crítico às medidas de isolamento promovidas por Neto e Rui, o vereador Cezar Leite (PRTB) diz que os antifas, a quem chama de “terroristas”, deveriam “ir para a rua brigar contra o prefeito e o governador”. Rompido com o Movimento Brasil Livre (MBL) desde que o grupo passou a fazer oposição ao presidente, Cezar faz um diagnóstico do bolsonarismo organizado: “Hoje está muito na questão voluntária. Atualmente estou acompanhado o Brasil 200, tem o pessoal do Avança Brasil, o Militância Direita. O resto, todo mundo saiu. Acabou. Morreu”.

O grupo Brasil 200, que reúne empresários simpatizantes de Bolsonaro, foi citado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito das fake news. Segundo o ministro, integrantes do grupo impulsionaram vídeos e material para atacar instituições democráticas.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) informa que já existe um protocolo adotado pelas polícias para acompanhamento de manifestações envolvendo multidões, elaborado para garantir a segurança das pessoas que vão às ruas praticar o direito constitucional de se manifestar de maneira pacífica. Reforça que está monitorando o agendamento desses eventos.

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