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Com mais chuvas que Rio e São Paulo, Salvador enfrenta alagamentos com ações meramente paliativas

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A imagem de que Salvador vive um eterno verão não condiz muito com a verdade. Aliás, a realidade está bem distante disso. A capital baiana é a que tem a maior média de chuva entra as seis maiores cidades brasileiras e em 2018 teve mais dias chuvosos do que ensolarados, o que, segundo especialistas, deve ser levado em conta. Além da água que vem de cima, é preciso respeitar o fluxo de rios, lagos, lençóis freáticos e também renovar o deficitário sistema de drenagem da capital.

De acordo com o Inmet (Instituto de Nacional de Meteorologia), a média em Salvador, levando em conta a observação feita num período de 30 anos (1981-2010) é de 1875mm, ficando à frente de  Fortaleza (1668,9mm), São Paulo (1616mm), Belo Horizonte (1602,6mm), Brasília (1477mm) e Rio de Janeiro (1069mm, dados do período 1961-1990, único disponível).

Ainda segundo o órgão, no ano passado foram 192 dias de chuva contra 173 dias de Sol na capital baiana, sendo abril o mês de maior intensidade com 240,9 mm. Segundo a meteorologista Claudia Valéria, a cidade tem um comportamento esperado devido a sua localização: “Como Salvador é uma cidade litorânea e de clima tropical, é uma média normal”, explica.

Aliado ao nível pluviométrico, o geólogo e membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), Rubens Antônio, alerta que é preciso rever a relação com o meio-ambiente e dar a devida importância ao desenvolvimento sustentável para que se possa combater os alagamentos e diminuir os efeitos negativos gerados pelas grandes precipitações.

“Não adianta aterrar rios, fechar vales e construir prédios em cima. Os rios e lagos são o que a gente vê da água, por baixo da superfície existe o lençol freático acompanhando o fluxo. O serviço que deveria ser feito é estudar o passado dos antigos cursos dos rios e fazer um diálogo com a história das águas, porque quando a chuva vem, ela cobra seu espaço”, explica o geólogo.

Rubens acredita que também falta a sociedade fazer sua parte, se conscientizando e preservando o meio-ambiente e também cobrar melhorias do poder público para resolver a situação. “A população tem que estar preparada para reparar o que ela mesma gerou. Isso leva certo tempo. Na Europa, por exemplo, houve uma série de destampamentos de rios.É uma tendência das sociedades mais maduras resgatar os seus rios”, destaca.

O sistema de drenagem de Salvador também precisa de uma repaginada, segundo o engenheiro civil e conselheiro do Crea-Ba (Conselho Regional de Engenharia), Leonel Barbosa. O especialista enfatiza há um bom tempo que a cidade não vê grandes obras nesse área, algo que seria necessário para seguir o crescimento demográfico das últimas décadas. “Mesmo com o crescimento da cidade, não se providenciou um novo sistema de drenagem. As últimas grandes obras foram da década de 70”, avalia o engenheiro.

Ele atribui principalmente a fatores humanos e hidrológicos, solo que não absorve água e sistema de drenagem insuficiente as causas dos alagamentos. Segundo ele, para sanar de vez o problema, teriam que ser investidas altas quantias em dinheiro e intervenções pesadas: “Na engenharia tudo é possível, mas o custo é muito alto. Teria de ser feito um outro estudo para avaliar a situação. Lidar com o crescimento urbano é muito complicado”, resume.

Seman responde

Em nota a Secretaria de Manutenção (Seman), uma das pastas que cuidam do sistema de drenagem, ressalta que não executa obras de drenagem, mas que empreende serviços para o mantenimento da infraestrutura pública já existente, compreendidas nas ações de desobstrução, limpeza e recuperação do sistema de microdrenagem, dragagem dos canais e córregos do sistema de macrodrenagem; poda, supressão e a retirada de árvores e galhos caídos nas vias de trafego, além da revisão da malha viária através da Operação Tapa Buracos.

A pasta ainda informa que as principais causas de alagamento vão desde o descarte irregular de lixo ao carreamento de sedimentos e resíduos pelas chuvas, como também pela obstrução do sistema de drenagem pelas raízes dos vegetais localizados em quintais, passeios e canteiros. O comunicado afirma que os alagamentos nunca são causados pela falta de manutenção deste sistema.

A Seinfra, outra secretaria responsável pelo sistema de drenagem, não respondeu as perguntas até o fechamento da matéria.

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