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Auxílio emergencial: beneficiários relatam golpe e sumiço de dinheiro da conta

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Ao tentar usar o auxílio emergencial da Caixa Econômica Federal pelo aplicativo “Caixa Tem”, a autônoma Gabriela Saraceni, 30, teve uma surpresa: o dinheiro tinha sumido. Ela foi, então, à agência e descobriu o motivo. “Fui informada que o dinheiro foi debitado para pagar uma conta no valor de 600 reais no dia 1º de junho, sendo que eu nunca tive acesso a esta conta”, revelou Gabriela.

Trata-se de um novo golpe aplicado ao benefício. Hackers conseguem ter acesso à conta registrando um outro e-mail e/ou telefone no aplicativo e conseguem transferir ou usar esse valor. O CORREIO entrou em contato com a Polícia Federal, que informou que já recebeu dezenas de denúncias de fraudes dessa natureza na Bahia e o crime tem se repetido em todo o Brasil.

A reportagem foi até três agências da Caixa – na Pituba, no Rio Vermelho e na Vasco da Gama – na sexta-feira (12) e, dentre os quase 40 entrevistados, pelo menos dois deles não conseguiram acessar o aplicativo porque outro e-mail estava no cadastro. “Meu e-mail foi clonado e não estou conseguindo pegar a 2ª parcela. Tem muito espertinho querendo clonar para poder pegar o código”, relatou Luciano Santana da Silva, 54 anos, na fila do banco da Av. Manoel Dias da Silva, na Pituba.

Ele trabalhava na segurança de um mercado da rede Hiperideal e ficou desempregado com a pandemia do novo coronavírus. Uma funcionária desta agência da Pituba, que não quis se identificar, confirmou que muitos casos como este são relatados por clientes. “Crime cibernético está aí para isso”, afirmou.

O dinheiro também sumiu da conta bancária de Joana Batista**, de 51 anos, que faz marmitas e crochê para ganhar a vida. Ao acessar o mesmo aplicativo, outro e-mail tinha sido cadastrado na sua conta e não era o dela. Na verdade, ela nem tinha colocado um. Quando foi à agência, soube do gerente que foi mais uma vítima dos criminosos digitais.

“Ele me disse que hackers fizeram uma compra no Mercado Pago de 600 reais”, contou. Após o ocorrido, a Caixa bloqueou o acesso à conta de Joana** para que ninguém consiga entrar no aplicativo e encaminhou o caso à PF. No prazo de 10 dias úteis, ela terá um retorno, mais ainda não sabe quando vai receber o benefício.

Antigo
O delegado Nilton Tormes, titular da 12ª Delegacia Territorial (DT), de Itapuã, alertou que este tipo de golpe não é novo. “Esse método não é novo, eles só estão aproveitando o auxílio da Caixa para fazer isso”, esclareceu o delegado. Ele disse ainda que todas as delegacias estão tendo esses problemas e que o melhor a se fazer é, ao invés de registrar o caso nas delegacias de bairro, ir direto à Polícia Federal, pois é o órgão competente para investigar esse tipo de fraude e o processo pode ser mais rápido. “Quanto mais rápido a pessoa for na PF, mais rápido vai ser para abrir a investigação para que ela receba o benefício o quanto antes. Ganha tempo, porque se registra direto na lá, esse trâmite burocrático demora menos”, explicou o delegado.

A 14ª Delegacia Territorial (DT), que fica no bairro da Barra, informou que pelo menos cinco denúncias envolvendo fraudes com o auxílio emergencial da Caixa foram registradas entre segunda (8) e quarta-feira (10) no local e que todas foram encaminhadas à PF. Procuradas, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, a Polícia Civil e a Caixa não souberam informar quantas denúncias envolvendo o benefício foram registradas em Salvador ou na Bahia.

A Caixa informou, através de nota, que “o banco realiza o monitoramento e mapeamento de ocorrências em colaboração com os órgãos de segurança pública competentes com o objetivo de coibir ocorrências de fraude. Contestações podem ser formalizadas pelo beneficiário eventualmente prejudicado em qualquer agência. Após análise, nos casos em que for comprovado saque fraudulento, o beneficiário será ressarcido”.

A orientação é que as vítimas registrem a ocorrência direto na  Polícia Federal, pois o processo será mais rápido do que o registro nas delegacias de bairro da Polícia Civil e nas agências bancárias da Caixa. As denúncias podem ser feitas através do e-mail: [email protected] Se possível, a pessoa deve informar os seguintes dados:

1) Qualificação completa da vítima (nome, CPF, endereço, telefone de contato, etc.).

2) Se a vítima possui cadastro no CadÚnico (Cadastro Único do Governo Federal para famílias de baixa renda) e conta bancária para recebimento do auxílio emergencial.

3) Se a vítima recebeu alguma mensagem SMS, e-mail, ligação telefônica, mensagem de WhatsApp ou foi contactada por qualquer outro meio. Confirmado o contato, encaminhar bater “print” ou foto da mensagem e fazer referências aos links, aplicativos, endereços de e-mail e telefones originários das conversações de onde partiram as “iscas”.

4) Se a vítima possui o aplicativo certo (oficial) e/ou acessou o link correto no cadastramento.

5) Se alguém ajudou ou fez o cadastramento (ou qualquer parte do processo) pela vítima.

6) Se a vítima recebe benefício assistencial ou previdenciário ou se possui cadastro no governo federal, além do CadÚnico.

*Sob orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro
**O nome foi alterado a pedido da fonte para preservar sua identidade 

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