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Após denuncia sobre violência policial, Movimento Negro abraça a causa.

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Um jovem de 17 anos alegou ter sido agredido por policiais durante uma abordagem no município de Caetité, a 645km de Salvador. De acordo com o menor, ele sofreu violência policial na sexta-feira (10) e fez o relato por vídeo, que acabou circulando na internet.

Segundo o adolescente, ele teria sido abordado, algemado e violentado por policiais militares da cidade. Os PMs o colocaram em um camburão e o conduziram até um posto de gasolina que havia sido assaltado. O jovem diz que a ação foi feita para que os funcionários dissessem que ele era o assaltante.

O jovem também afirma que teve o celular apreendido e drogas plantadas em seus pertences, o que serviu como uma justificativa para que ele fosse levado à delegacia, até que os pais fossem o retirar do local.

Depois da abordagem, o adolescente, que trabalha com o hip-hop, gravou um vídeo contando a situação e divulgou nas redes sociais. Após a filmagem chegar ao conhecimento da Polícia, os agentes teriam encontrado o jovem, que estava com o filho, em frente a um mercadinho.

“O meu filho estava nas minhas costas. Os policiais chegaram, pararam a viatura e mandaram eu por meu filho no chão, Antes mesmo que eu o descesse das minhas costas, eles iniciaram a violência, me enforcando e me jogando contra a parede. Eu gritei para que minha esposa buscasse o nosso filho”, contou.

O jovem também alegou que os quatro policiais presentes violentaram sua esposa, foram até a casa dele e bateram em sua irmã. “Os 4 policiais vieram para cima e me violentaram fisicamente. Me obrigaram a gravar um vídeo retirando as denúncias que eu havia feito pelas minhas redes sociais. É esse vídeo que está rolando aí, mas eu não me calo diante do sistema”, disse o jovem.

O caso teve tanta repercussão, que o Movimento Negro Unificado de Caetité se posicionou sobre o assunto. Em nota de repúdio à Polícia Militar de Caetité-BA, o grupo afirma que “A abordagem por parte dos agentes da polícia militar na apreensão do adolescente está em desacordo com as disposições constitucionais e legais”, diz parte da nota.

“Existem direitos de crianças e adolescentes que devem ser garantidos e protegidos durante uma situação de apreensão policial, pois, além das garantias estabelecidas na Constituição Federal Brasileira a todos os cidadãos, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) regulamenta, com mais especificidade, direitos concernentes aos menores de dezoito anos. Para que assim ocorra, é essencial que em todo o procedimento, a dignidade do cidadão seja respeitada e que as suas particularidades, no caso em questão, enquanto adolescentes, sejam devidamente observadas”, completa.

De acordo com o Movimento, o adolescente costuma abordar temas como desigualdade racial, opressão social e violência policial, nas músicas e poesias que faz.

“O Movimento Negro Unificado de Caetité não se calará diante das irregularidades das instituições de segurança do Estado, sobretudo, em relação aos cidadãos negros e moradores de periferia, que não se sentem seguros, uma vez que demonstram descrédito na instituição que deveria protegê-los”, finaliza.

Em nota, o comando da 94ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) informou que está ciente da denúncia e instaurou uma sindicância para apurar o fato.

Confira o posicionamento:

“Assim que o comando da 94ª CIPM tomou conhecimento da denúncia instaurou uma sindicância e adotou as providências necessárias para o esclarecimento do fato, inclusive no mesmo dia as supostas vítimas foram ouvidas em termo de declaração na sede da unidade. Os policiais também foram identificados e ouvidos pelo comandante.

A sindicância tem prazo de apuração de 30 dias, podendo ser prorrogável por mais 15.  

A PM ressalta que todas as denúncias sobre a suposta conduta irregular de integrantes da corporação são rigorosamente apuradas e reafirma não coadunar com comportamentos que fujam à técnica policial e que comprometa a imagem da instituição”.

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