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Agressor de travestis já tinha sido preso por violência contra a mulher

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Ele atacou a namorada em 2017

Isaque da Silva Conceição, 26 anos, já foi preso por violência doméstica, no ano passado. Na ocasião, foi enquadrado pela Lei Maria da Penha pela agressão à própria namorada. O problema é que, mesmo depois de responder pelo crime, Isaque não parou de cometer violência contra a mulher. Segundo a polícia, ele é o responsável pelos ataques a pelo menos seis travestis na Rua Minas Gerais, na Pituba.

O suspeito foi preso na noite de quarta-feira (14), quando tentava sair do prédio onde morava, na Rua Espírito Santo, também na Pituba. Ele foi surpreendido por policiais militares da 13ª Companhia Independente (Pituba), por volta de 20h30, e teve a prisão preventiva decretada na madrugada desta quinta-feira (15). Ainda na manhã desta quinta, foi apresentado à imprensa na 16ª Delegacia (Pituba).

Os crimes ocorreram durante um período de 10 dias – entre o dia 21 de fevereiro e o dia 3 deste mês. A ocorrência dos ataques foi divulgada com exclusividade pelo Me Salte, canal LGBT do CORREIO. De acordo com a delegada Maria Selma Pereira, titular da 16ª Delegacia, até o momento, apenas duas das vítimas registraram a ocorrência, mas a polícia já tem conhecimento de pelo menos seis ataques. Por isso, ele deve responder por seis tentativas de homicídio.

“Ele nega que tenha cometido (os crimes). A despeito disso, ele diz que ficava observando, da janela (do apartamento) o movimento das meninas na rua e que teria visto situações em que elas roubavam pessoas. Essa prisão veio em boa hora, porque poderia ter acontecido algo pior. Poderia ter acontecido um homicídio”, afirmou Maria Selma, durante a apresentação.

Apartamento alugado
O prédio onde Isaque morava fica a poucos metros de onde ele cometeu um dos atentados. Assim, era comum que, após atacar as vítimas, ele fugisse em direção ao edifício. Segundo o major Elbert Vinhático, comandante da 13ª CIPM, os policiais receberam uma denúncia anônima e foram até o local. Ao chegar lá, Isaque estava saindo do prédio, mas não resistiu à prisão.

“A gente já tinha a informação de que ele estava por ali. Pelo jeito, ele estava para abandonar o apartamento, porque estava vazio. Era alugado. Na verdade, ele alugava um quarto e morava com pessoas (que também alugavam). Ele tinha pelo menos dois meses morando nesse apartamento, porque já estava inadimplente há dois meses”, disse o major.

Antes disso, Isaque morava no Nordeste de Amaralina. À polícia, ele afirmou que trabalhava como entregador em um serviço de delivery na Boca do Rio – embora não tenha informado que empresa seria essa. Para fazer as entregas, ele usava a própria moto – veículo que também chegou a usar para fugir depois de atacar as travestis e que foi apreendido pela polícia. Isaque também seria dono de um Chevrolet Corsa, mas a polícia não localizou o carro até o fim da manhã.

Contradição
Duas das vítimas, além de uma outra travesti que testemunhou uma das situações, estiveram na delegacia na madrugada desta quinta. Elas não tiveram coragem de encontrar Isaque, mas reconheceram o suspeito por foto. Foi nesse momento, segundo a delegada Maria Selma, que ele cometeu uma das contradições do depoimento.

“Teve um pessoal que subiu, outras mulheres (ativistas LGBT que estiveram na delegacia). Ele disse que ali não tinha nenhuma vítima (entre as mulheres que subiram até onde ele estava). E eu perguntei: ‘como você sabe que não tem nenhuma vítima, se você diz que não cometeu?”, contou.

Durante a apresentação à imprensa, Isaque preferiu não falar. Respondeu perguntas em raros momentos – num deles, para dizer que nunca teve relação com alguma travesti e, em outro, para dizer que estava “sendo acusado”. Com a cabeça negou, ainda, que fosse lutador de MMA – ele tem uma tatuagem com a sigla escrita, além de outra com a sifla ‘UFC’.

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